MÍDIA

TOQUE DA PRÓSTATA. POR QUÊ?

artigo publicado no jornal O Globo em 15/10/1999

Quando se pensa em "check up" urológico logo se associa com avaliação prostática, o que faz sentido se pensarmos que o câncer de próstata é o tumor maligno mais comum no sexo masculino e a segunda causa de óbito por tumor nos Estados Unidos; ocorre que também vem em discussão o temido exame do toque da próstata. É comum vermos clientes questionarem a necessidade ou a validade do exame digital da próstata, seja por desconhecimento, seja por preconceito.

O exame digital da próstata, que é uma glândula sexual acessória masculina, localizada na base da bexiga, somente pode ser realizado através do toque retal, face à íntima relação desta glândula com a parede do reto. Neste exame procuramos avaliar o tamanho, consistência, regularidade da superfície (presença ou não de nódulos) e a aderência ou não da glândula a estruturas vizinhas. É um exame rápido e indolor, embora não se possa afirmar que seja agradável. A American Urological Association, a American Cancer Association e a Sociedade Brasileira de Urologia preconizam que homens a partir dos 50 anos de idade sejam avaliados de maneira preventiva para o câncer de próstata, o que deve ser realizado de forma mais precoce se houver história familiar desta doença ou em indíviduos da raça negra.

Os pacientes habitualmente chegam dizendo que fizeram (ou somente desejam fazer) o exame de sangue (dosagem sérica de antígeno protático específico # PSA) ou ultra-sonografia (por via abdominal). Ocorre que estes são exames complementares ao diagnóstico, e que de maneira alguma substituem o exame digital da próstata. A ultra-sonografia de próstata, por via abdominal, fornece uma estimativa aproximada do volume da glândula e uma boa avaliação da dinâmica de esvaziamento da bexiga, que pode ser dificultada pelo crescimento da próstata.

O antígeno prostático específico (PSA) é uma proteína seminal, descoberta em 1980, produzida principalmente pelo tecido prostático, mas também por outros tecidos (já foi detectada em mulheres, que não possuem próstata). Mesmo no sexo masculino não é específica do câncer da próstata, visto que doenças inflamatórias, infecciosas, isquêmicas e mesmo o crescimento benigno da glândula elevam de maneira significativa esta substância. Existe ainda o reverso da moeda: cerca de 20% dos indivíduos com câncer de próstata apresentam dosagens de PSA dentro dos limites considerados normais. Por não ser específico e nem sensível o suficiente, várias correlações vêm sendo realizadas com o PSA, de forma a melhorar sua precisão diagnóstica. É por estas razões que, toda vez que nos chega um cliente para "check up" urológico procuramos conversar, descontraí-lo e esclarecer todos estes aspectos, para que sua avaliação seja a mais completa possível dentro dos recursos de que hoje dispomos."





Dr. André Lage D'Annunciação
Doutor em Cirurgia pela UFRJ
Urologista do Vita Check-Up Center